Ford · Questto|Nó

ImmersionRoom

Direção de arte, identidade visual e design system espacial para uma sala de imersão que traduziu um ano de pesquisa cross-cultural em experiência tangível para os times de engenharia da Ford.

entrega finalSala de imersão · 21 features · 3 países
Função
Identidade Visual e Design System Espacial
Empresa
Questto|Nó
Período
2017 a 2018
Foco
Direção de Arte, Identidade Visual, Design Espacial
01 · Immersion Room
Contexto

Como traduzir um ano de pesquisa cross-cultural em uma experiência tangível para os times de engenharia da Ford.

A Ford precisava projetar experiências para dois novos modelos de utilitário voltados ao Brasil, Argentina e Índia. A Questto|Nó, consultoria de design onde eu atuava, foi contratada para conduzir um projeto de um ano: da pesquisa de campo com usuários reais até a entrega de conceitos refinados, prontos para desenvolvimento.

Todo esse volume de pesquisa precisava chegar aos engenheiros não como um relatório, mas como uma experiência que provocasse empatia, compreensão e vontade de criar.

Foi nesse contexto que nasceu a Immersion Room.

Meu papel

Fui a designer responsável pela identidade visual de ponta a ponta: defini a linguagem do projeto, produzi os materiais que sustentaram cada fase da pesquisa, dirigi a estética das 21 features e projetei o design system espacial da entrega final.

Equipe reunida no workshop de Camaçari, Ford e Questto|Nó

Workshop criativo na fábrica de Camaçari com os times Ford e Questto|Nó.

02 · Problema

Entendendo o desafio

Como fazer centenas de engenheiros, acostumados a pensar em especificações técnicas, mergulharem na realidade emocional e cultural de pessoas que dirigem em Nova Delhi, São Paulo e Buenos Aires? O projeto gerou um volume imenso de pesquisa que precisava chegar como experiência, não como relatório.

Volume de pesquisa

Volume de pesquisa

Entrevistas em três países, 118 participantes em co-criação, 300+ ideias em 27 clusters e 21 conceitos de features. Denso demais para virar um relatório consumível.

Distância cultural

Distância cultural

Engenheiros locais nunca tinham dirigido em Delhi nem enfrentado uma rotina familiar argentina. A pesquisa precisava encurtar essa distância sem caber em um deck.

Material inerte

Material inerte

Relatórios técnicos não geravam empatia, e decks longos não escalavam para uma fábrica inteira. O conteúdo precisava virar ambiente, não documento.

Empatia em escala

Empatia em escala

A experiência precisava provocar empatia em centenas de engenheiros simultaneamente. Era preciso uma resposta espacial, navegável e tangível.

Nova Delhi, São Paulo e Buenos Aires

Pesquisa conduzida em três mercados emergentes.

Parede com mais de 300 ideias organizadas em clusters

300+ ideias, 27 clusters, 21 conceitos gerados.

03 · Definindo a estratégia
Objetivo

Transformar meses de pesquisa cross-cultural em um ambiente navegável, tangível e inspirador o suficiente para gerar ação.

A entrega não podia ser um deck estático nem um relatório técnico. Precisava ser um espaço habitado  onde engenheiros pudessem tocar os conceitos, entender os usuários e usar tudo como ponto de partida para ideação.

Pesquisa, identidade visual e arquitetura espacial precisavam falar a mesma língua, do material gráfico até o piso da fábrica.

Pesquisa virou ambiente. Insight virou experiência.

O princípio

Tratar o design system como linguagem comum entre pesquisa, produto e espaço, para que cada engenheiro saísse do ambiente com vontade de criar.

Participantes das sessões de co-criação nos três países

118 participantes nas sessões de co-criação: Nova Delhi (28), São Paulo (54), Buenos Aires (36).

04 · Estratégia

Estratégia
e solução

Projetei um design system que cruzou a fronteira do papel para o espaço físico. A identidade visual precisava funcionar em apresentações digitais, materiais impressos de pesquisa e numa sala inteira de imersão, tudo com coerência.

CO-CRIAÇÃO COM  PROTÓTIPO FÍSICO

Antes da sala, o processo passou por sessões de co-criação nos três países.  A equipe construiu um carro em escala real usando tubos de PVC, uma estrutura  que permitia aos participantes interagir com os conceitos de forma física.  Defini a linguagem visual dos materiais usados nessas sessões, garantindo que a informação fosse clara e acessível independente do contexto cultural.

Diagrama técnico do PVC Car

Estrutura modular em PVC.

PVC Car em uso durante sessão de co-criação

Sessão de co-criação no Brasil.

Participantes interagindo com o PVC Car na Índia

Workshops na Índia e Brasil.

LINGUAGEM VISUAL  DAS FEATURES

Dirigi a linguagem visual que o time de produto usou para materializar  21 conceitos de UX em desenhos detalhados. Cada prancha seguia um  sistema visual consistente: ilustração técnica com destaque em cor para  os elementos interativos, acompanhada de descrição funcional. Contribuí diretamente com ilustrações para garantir coerência entre todas as pranchas.

Grid com os 21 conceitos de features desenhados

Panorama dos 21 conceitos de features, cada um com linguagem visual unificada.

Car Scan: diagnóstico via app e dashboard

Car Scan.

Console ajustável modular

Console ajustável.

Reconhecimento pessoal por chave

Reconhecimento pessoal.

Sistema de resposta climática

Resposta climática.

Divisória modular para porta-malas

Divisória de porta-malas.

Monitoramento de segurança

Monitoramento de segurança.

Design system da Immersion Room

A identidade visual do espaço usou materiais crus e industriais que remetiam  a prototipagem contínua: compensado, cortiça, papelão e tubos de PVC.  Os tubos tinham uma função conceitual: funcionavam como wireframes físicos, mantendo os primeiros protótipos vivos dentro do espaço.

A tipografia combinou fontes anamórficas (que brincam com a perspectiva  do espaço tridimensional) com famílias funcionais no estilo Swiss Typefaces,  equilibrando impacto visual e clareza para um público de engenheiros.  Para os materiais de consumo da pesquisa, trouxemos impressão em  risografia, dando qualidade tátil e única ao material impresso.

Defini um color code com paletas distintas para cada modelo de  veículo, e desenhei um conjunto de ícones para facilitar a absorção de informação nas estações de conceito.

Referências visuais: DIY, plywood, makerspace, tipografia bold

Referências visuais: materialidade DIY, compensado, tipografia contrastante, wayfinding industrial.

Planta baixa da Immersion Room com áreas demarcadas

Planta da sala com entrada, sala principal e saída demarcadas.

05

A sala

A Immersion Room foi coreografada para guiar os times de produto por uma  jornada completa. Intervenções gráficas no chão e no teto conectavam os códigos de cor aos modelos de veículo, conduzindo os participantes por estações temáticas: contexto cultural, momentos-chave dos usuários, conceitos detalhados e mesa de ideação para co-criação presencial.

Entrada da sala com painéis de boas-vindas e toolkit

Entrada da sala com painel de boas-vindas e toolkit impresso para cada participante.

Parede de pesquisa com fotos e insights dos três países

Parede de pesquisa com fotos e insights culturais.

Painéis de timeline do projeto

Timeline do projeto de setembro a dezembro.

Moment boards: Out with Friends, My Castle, Always Like New

Moment boards com jornadas dos usuários: saindo com amigos, meu espaço, sempre como novo.

Painel de personas com perfis dos usuários

Painéis de personas com perfis dos três países.

Corredor de concept boards com todas as features

Corredor de concept boards com as features detalhadas.

Box car simulador com tela e volante

Box car: simulador interativo onde engenheiros exploravam os conceitos em contexto.

Dashboard do box car com mapeamento de features

Dashboard com mapeamento de features por momento e enabler.

Interior do box car com assentos reais

Interior com assentos reais e concept boards ao redor.

Vista completa da sala com mesa de ideação

Vista completa com concept boards e simulador.

Mesa de ideação com banquetas

Mesa de ideação para co-criação presencial.

06

Resultados

Os engenheiros da Ford receberam uma sala de imersão navegável  dentro da fábrica de Camaçari, reunindo a pesquisa de três países, 21 features detalhadas e protótipos interativos.

1 ano
Projeto completo, da fase de imersão até a entrega da sala e toolkit
3
Países pesquisados: Índia, Brasil e Argentina
118
Participantes reais nas sessões de co-criação
21
Conceitos de features filtrados de mais de 300 ideias
07

Aprendizados

Identidade visual não termina na tela: projetar para um espaço físico exige pensar em fluxo, materialidade e escala de um jeito que o digital não demanda.

01

Material é mensagem

A escolha de compensado e risograph não foi estética,  foi estratégica: comunicava ao público de engenheiros  que aquilo era um espaço de trabalho em andamento,  não uma apresentação finalizada. Esse enquadramento mudou como as pessoas interagiam com o conteúdo.

02

Documentar para escalar

Trabalhar com times distribuídos entre São Paulo e  Nova York me forçou a documentar decisões visuais  com rigor. Cada escolha de material, cor e tipografia  precisava ser justificável e replicável por pessoas  que não estavam na mesma sala.

03

Design system além da tela

Um sistema visual que funciona no digital e no físico  exige pensar em camadas: o que é estrutural (cor, tipo, grid),  o que é contextual (materialidade, escala) e o que é efêmero (conteúdo rotativo). Essa separação guiou todas as decisões.

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