
Volume de pesquisa
Entrevistas em três países, 118 participantes em co-criação, 300+ ideias em 27 clusters e 21 conceitos de features. Denso demais para virar um relatório consumível.
Direção de arte, identidade visual e design system espacial para uma sala de imersão que traduziu um ano de pesquisa cross-cultural em experiência tangível para os times de engenharia da Ford.
A Ford precisava projetar experiências para dois novos modelos de utilitário voltados ao Brasil, Argentina e Índia. A Questto|Nó, consultoria de design onde eu atuava, foi contratada para conduzir um projeto de um ano: da pesquisa de campo com usuários reais até a entrega de conceitos refinados, prontos para desenvolvimento.
Todo esse volume de pesquisa precisava chegar aos engenheiros não como um relatório, mas como uma experiência que provocasse empatia, compreensão e vontade de criar.
Foi nesse contexto que nasceu a Immersion Room.
Fui a designer responsável pela identidade visual de ponta a ponta: defini a linguagem do projeto, produzi os materiais que sustentaram cada fase da pesquisa, dirigi a estética das 21 features e projetei o design system espacial da entrega final.
Workshop criativo na fábrica de Camaçari com os times Ford e Questto|Nó.
Como fazer centenas de engenheiros, acostumados a pensar em especificações técnicas, mergulharem na realidade emocional e cultural de pessoas que dirigem em Nova Delhi, São Paulo e Buenos Aires? O projeto gerou um volume imenso de pesquisa que precisava chegar como experiência, não como relatório.

Entrevistas em três países, 118 participantes em co-criação, 300+ ideias em 27 clusters e 21 conceitos de features. Denso demais para virar um relatório consumível.

Engenheiros locais nunca tinham dirigido em Delhi nem enfrentado uma rotina familiar argentina. A pesquisa precisava encurtar essa distância sem caber em um deck.

Relatórios técnicos não geravam empatia, e decks longos não escalavam para uma fábrica inteira. O conteúdo precisava virar ambiente, não documento.

A experiência precisava provocar empatia em centenas de engenheiros simultaneamente. Era preciso uma resposta espacial, navegável e tangível.
Pesquisa conduzida em três mercados emergentes.
300+ ideias, 27 clusters, 21 conceitos gerados.
A entrega não podia ser um deck estático nem um relatório técnico. Precisava ser um espaço habitado onde engenheiros pudessem tocar os conceitos, entender os usuários e usar tudo como ponto de partida para ideação.
Pesquisa, identidade visual e arquitetura espacial precisavam falar a mesma língua, do material gráfico até o piso da fábrica.
Pesquisa virou ambiente. Insight virou experiência.
Tratar o design system como linguagem comum entre pesquisa, produto e espaço, para que cada engenheiro saísse do ambiente com vontade de criar.
118 participantes nas sessões de co-criação: Nova Delhi (28), São Paulo (54), Buenos Aires (36).
Projetei um design system que cruzou a fronteira do papel para o espaço físico. A identidade visual precisava funcionar em apresentações digitais, materiais impressos de pesquisa e numa sala inteira de imersão, tudo com coerência.
Antes da sala, o processo passou por sessões de co-criação nos três países. A equipe construiu um carro em escala real usando tubos de PVC, uma estrutura que permitia aos participantes interagir com os conceitos de forma física. Defini a linguagem visual dos materiais usados nessas sessões, garantindo que a informação fosse clara e acessível independente do contexto cultural.
Estrutura modular em PVC.
Sessão de co-criação no Brasil.
Workshops na Índia e Brasil.
Dirigi a linguagem visual que o time de produto usou para materializar 21 conceitos de UX em desenhos detalhados. Cada prancha seguia um sistema visual consistente: ilustração técnica com destaque em cor para os elementos interativos, acompanhada de descrição funcional. Contribuí diretamente com ilustrações para garantir coerência entre todas as pranchas.
Panorama dos 21 conceitos de features, cada um com linguagem visual unificada.
Car Scan.
Console ajustável.
Reconhecimento pessoal.
Resposta climática.
Divisória de porta-malas.
Monitoramento de segurança.
A identidade visual do espaço usou materiais crus e industriais que remetiam a prototipagem contínua: compensado, cortiça, papelão e tubos de PVC. Os tubos tinham uma função conceitual: funcionavam como wireframes físicos, mantendo os primeiros protótipos vivos dentro do espaço.
A tipografia combinou fontes anamórficas (que brincam com a perspectiva do espaço tridimensional) com famílias funcionais no estilo Swiss Typefaces, equilibrando impacto visual e clareza para um público de engenheiros. Para os materiais de consumo da pesquisa, trouxemos impressão em risografia, dando qualidade tátil e única ao material impresso.
Defini um color code com paletas distintas para cada modelo de veículo, e desenhei um conjunto de ícones para facilitar a absorção de informação nas estações de conceito.
Referências visuais: materialidade DIY, compensado, tipografia contrastante, wayfinding industrial.
Planta da sala com entrada, sala principal e saída demarcadas.
A Immersion Room foi coreografada para guiar os times de produto por uma jornada completa. Intervenções gráficas no chão e no teto conectavam os códigos de cor aos modelos de veículo, conduzindo os participantes por estações temáticas: contexto cultural, momentos-chave dos usuários, conceitos detalhados e mesa de ideação para co-criação presencial.
Entrada da sala com painel de boas-vindas e toolkit impresso para cada participante.
Parede de pesquisa com fotos e insights culturais.
Timeline do projeto de setembro a dezembro.
Moment boards com jornadas dos usuários: saindo com amigos, meu espaço, sempre como novo.
Painéis de personas com perfis dos três países.
Corredor de concept boards com as features detalhadas.
Box car: simulador interativo onde engenheiros exploravam os conceitos em contexto.
Dashboard com mapeamento de features por momento e enabler.
Interior com assentos reais e concept boards ao redor.
Vista completa com concept boards e simulador.
Mesa de ideação para co-criação presencial.
Os engenheiros da Ford receberam uma sala de imersão navegável dentro da fábrica de Camaçari, reunindo a pesquisa de três países, 21 features detalhadas e protótipos interativos.
Identidade visual não termina na tela: projetar para um espaço físico exige pensar em fluxo, materialidade e escala de um jeito que o digital não demanda.
A escolha de compensado e risograph não foi estética, foi estratégica: comunicava ao público de engenheiros que aquilo era um espaço de trabalho em andamento, não uma apresentação finalizada. Esse enquadramento mudou como as pessoas interagiam com o conteúdo.
Trabalhar com times distribuídos entre São Paulo e Nova York me forçou a documentar decisões visuais com rigor. Cada escolha de material, cor e tipografia precisava ser justificável e replicável por pessoas que não estavam na mesma sala.
Um sistema visual que funciona no digital e no físico exige pensar em camadas: o que é estrutural (cor, tipo, grid), o que é contextual (materialidade, escala) e o que é efêmero (conteúdo rotativo). Essa separação guiou todas as decisões.
Disponível para projetos
Visual & Interface Design