Adriana Pommot
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Chorume

Projeto autoral de tipografia vernacular que virou ecossistema gráfico.
De um cartaz de rua à criação de uma cachaça fictícia, envolvendo fonte desenhada à mão, direção de arte, cenografia em estúdio e fotografia. Reconhecido com o prêmio Best of Show da Miami Ad School.

FunçãoCriação autoral
ProgramaMiami Ad School / ESPM
Ano2015
ReconhecimentoBest of Show
EscopoTipografia, Branding, Direção de Arte
01 O Cartaz

Um cartaz colado num muro do bairro da Liberdade, em São Paulo.
Pincel grosso, régua nenhuma, sem pretensão estética.

Cartaz Proibido jogar lixo, bairro da Liberdade, São Paulo
02 Vernacular como
matéria-prima

A força daquele traço, sua irregularidade brutal e funcional, revelava uma identidade visual espontânea, nascida do improviso. Esse gesto gráfico foi a matéria-prima para o desenvolvimento da tipografia Chorume, que preserva o ritmo, os erros e a urgência de sua origem.

O vernacular brasileiro de rua é um tipo de design que ninguém assina.
Ele existe porque precisa existir, e é essa urgência que o torna honesto.

Moodboard: decomposição, terra úmida, permanência orgânica

Moodboard de pesquisa: atmosfera de decomposição, terra úmida e permanência orgânica.

03 A Fonte

A partir das letras do cartaz, desenhei um alfabeto completo mantendo as imperfeições como parte da identidade. A fonte explora irregularidades como ritmo, peso e alinhamento, reforçando o aspecto orgânico e marginal do seu ponto de origem.

Alfabeto completo da fonte Chorume com cenografia
04 Inventar o
Chorume

O nome Chorume surgiu naturalmente. Imaginei uma cachaça artesanal fictícia, produzida com água da chuva, embalada em garrafas escuras, com identidade gráfica inspirada em xilogravura e signos de decomposição.

O rótulo mistura ilustração, tipografia autoral e simbologias do sertão. A parte inferior, com padrões de insetos e vegetação, remete à fermentação, à morte, à regeneração orgânica. A composição equilibra o grotesco e o lúdico, o artesanal e o especulativo.

Garrafa Chorume com cenografia de cactos e ilustrações
05 Direção de arte

Para materializar essa narrativa, construí um pântano cenográfico em estúdio. Usei um aquário de vidro, terra úmida, musgo e ossos reais emprestados por um estudante de veterinária.

A composição foi pensada como um relicário fúnebre da garrafa, como se tivesse sido desenterrada de um sítio arqueológico pós-apocalíptico.

Garrafa Chorume enterrada na lama
06 Resíduo

Chorume é, ao mesmo tempo, uma crítica e uma celebração. Do lixo nasce linguagem, da decomposição nasce um novo design.

Esse projeto me ensinou que vernacular não é falta de refinamento, é outro tipo de ofício. Aprendi a olhar pra coisas que ninguém olha, a respeitar a urgência do improviso e a confiar que o craft existe em todo lugar, não só nos lugares premiados.

O olho que desenhou essas letras em 2015 ainda mora em cada interface que eu construo hoje.

07 O Fudge

O projeto foi reconhecido com o prêmio Best of Show da Miami Ad School, eleito entre todos os trabalhos da turma.

Dez anos depois, o troféu ainda está na minha estante. Serve como lembrete de onde minha linguagem visual começou: olhando pra coisas que ninguém olha.

Troféu The Fudge, Best of Show, Miami Ad School ESPM

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