ChorumeTipografia

Projeto autoral de tipografia vernacular que  virou  ecossistema gráfico. De um cartaz de rua à criação de uma cachaça fictícia com identidade visual completa, envolvendo fonte desenhada à mão, direção de arte, cenografia e fotografia.

reconhecimentoBest of Show · Miami Ad School
Troféu The Fudge, Best of Show, Miami Ad School / ESPM
Tipo
Tipografia, Branding, Direção de Arte
Instituição
Miami Ad School / ESPM
Período
2015
Prêmio
Best of Show
Composição editorial Chorume: garrafa de cachaça artesanal fictícia em cenografia ilustrada de pântano sertanejo, com cactos, ossos, lua e fauna
01 · Contexto

Tipografia
Vernacular

Chorume nasceu da observação de algo que  normalmente  passa despercebido: a forma  como as pessoas desenham  letras quando  não estão tentando fazer design.  Placas  pintadas à mão, avisos improvisados, muros,   fachadas e inscrições espalhadas pela cidade   revelam soluções gráficas espontâneas.

O que me interessava não era reproduzir essa  estética literalmente, mas entender o que  tornava essas manifestações  tão autênticas.  Havia uma força visual difícil de ignorar.

A partir dessa pesquisa, desenvolvi uma marca fictícia de bebida artesanal que transformou referências vernaculares em uma linguagem  visual própria, explorando tipografia, direção  de arte, fotografia e narrativa de marca.

02 · Moodboard

DIREÇÃO DE ARTE

Se a tipografia nasceu da rua, a direção de arte nasceu da terra.

A palavra Chorume evocava um imaginário  específico: matéria orgânica em decomposição,  solo úmido, vegetação tomando conta do  que foi abandonado e o tempo agindo  lentamente sobre tudo.

As referências reunidas para o projeto exploram  exatamente essa tensão. Há algo de sombrio  nessas paisagens, mas também algo  profundamente vivo. Musgos, raízes, água  corrente, troncos em decomposição e  vestígios orgânicos compõem um  ambiente onde decadência e renovação fazem parte do mesmo processo.

Esse repertório visual orientou toda a construção  estética do projeto, servindo como base para a  cenografia, a fotografia e a atmosfera da marca.

03 · Tipografia

Da observação
ao sistema

Construção da linguagem

A partir das recorrências visuais observadas foi desenvolvida uma tipografia proprietária capaz de  preservar o caráter vernacular observado durante a pesquisa sem abrir mão da consistência necessária para a construção de uma identidade visual completa.

A fonte tornou-se o elemento estrutural do projeto, servindo como base para todas as aplicações posteriores.

Alfabeto Chorume dentro da cenografia ilustrada: cactos, nuvens e o quadro tipográfico ABCDE FGHIJL MNOPQ RSTUV XYZK
04 · Bastidores

Bastidores do pântano,
camada por camada.

Se a tipografia nasceu observando a rua, o cenário nasceu colocando a mão na terra.

Tríptico dos bastidores da produção fotográfica do Chorume

 Estúdio, 2015. Foto: arquivo pessoal.

Em vez de descobrir algo enterrado, eu estava construindo aquele ambiente camada por camada. Sobre a montagem

O cenário foi montado manualmente em estúdio. Terra, pedras, galhos, musgos e tudo o que pudesse ajudar a construir a atmosfera que eu procurava.

Uma das histórias mais improváveis veio dos ossos.  O irmão de uma amiga estudava medicina veterinária e colecionava esqueletos para estudo. Topou emprestar parte da coleção, foi assim que jacarés, macacos e outros animais entraram na produção.

No final, a fotografia se tornou uma continuação da própria pesquisa. Se a tipografia nasceu observando a rua, o cenário nasceu colocando a mão na terra.

05 · Universo da marca

Universo da marca

Toda a fotografia foi produzida para reforçar a
ambiguidade presente na marca.

A iluminação baixa, a paleta contida e os elementos orgânicos foram utilizados para criar imagens que transitam entre o editorial, o fantástico e o vernacular.

Mais do que registrar um produto, as imagens atuam como extensão da narrativa visual construída ao longo do projeto.

Universo visual da marca Chorume: garrafas em cenografia de pântano com ilustrações vernaculares à mão sobre fundo escuro
08 · Encerramento

Olhar para o
que ninguém vê

No fim do projeto, Chorume foi reconhecido com o prêmio Best of Show da Miami Ad School.

Dez anos depois, continua na mesma estante.
Não como lembrança de uma conquista específica,
mas como um lembrete do processo que deu origem
a este projeto: observar aquilo que normalmente
passa despercebido, encontrar valor no improviso
e construir linguagem a partir de referências que
raramente ocupam o centro da atenção.

Chorume nasceu dessa forma de olhar.

E, de certa maneira, tudo o que veio depois também.

Troféu The Fudge, Best of Show Miami Ad School, cenografia chorumiana com cactos, garça, ossos e lua

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